sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Ban apela o presidente Gbagbo a deixar o poder em Cote d'Ivoire


Fonte:Alassane Ouattara
Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque


Secretário-Geral da ONU alerta que qualquer ataque contra as forças de manutenção da paz da organização é um ataque à comunidade internacional.

As Nações Unidas redobraram os seus esforços para resolver a crise pós-eleitoral em Cote d'Ivoire, também conhecida como Costa do Marfim.

A organização lançou um apelo ao presidente cessante, Laurent Gbagbo, que deixe o cargo, face à vitória de Alassane Ouattara.

Rumo Perigoso

No início da conferência de imprensa do fim do ano, em Nova Iorque, o Secretário-Geral, Ban Ki-moon, alertou para o rumo perigoso da situação que se saldou em pelo menos 12 mortos.

O Secretário-Geral adverte contra quaisquer medidas tendo como alvo o Hotel Gulf, na capital, Abidjan, onde estão estacionadas as forças de manutenção da paz da ONU e Ouattara está hospedado, devido à recusa de Laurent Gbagbo em deixar o palácio presidencial.

Segundo Ban, qualquer ataque contra as forças da organização constitui um ataque à comunidade internacional. Ele enfatizou que os responsáveis pela perda de vidas civis deverão prestar contas.

Contactos com Líderes

O Secretário-Geral disse estar em contacto com vários líderes africanos.

Na capital marfinense, o chefe da Missão das Nações Unidas em Cote d'Ivoire, Unoci, Young-Jin Choi, conferenciou com o presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, sobre formas para resolver a crise.

Um comunicado da Unoci refere ter sido o mais recente de uma série de contactos regionais e transcontinentais para assegurar que "seja respeitada a vontade do povo marfinense, expressa nas urnas a 28 de novembro".

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Lula rejeita chefiar ONU e diz temer poderio dos EUA

Fonte: Estadão online / REUTERS

Em sua última participação em uma reunião do Mercosul antes do fim do mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou estar à frente a secretaria-geral da ONU e disse que teme que os Estados Unidos queiram ocupar todos os espaços na entidade.

Lula foi aclamado pelos demais presidentes presentes no encontro, realizado em Foz do Iguaçu (PR), e recebeu o incentivo do boliviano Evo Morales para ocupar a secretaria-geral da ONU.

"Eu só posso compreender a indicação como um gesto de cortesia do meu companheiro Evo Morales", disse Lula a jornalistas.

Lula voltou a defender um técnico para a secretaria-geral da ONU.

"Eu acho que a ONU precisa ser dirigida por algum técnico competente da ONU. Não pode ter um político forte na ONU, porque não pode ser maior que os presidentes dos países e eu fico meio preocupado se virar moda presidentes de países presidirem a ONU", disse Lula.

"Daqui a pouco os EUA estão disputando, além do Conselho de Segurança, também o controle das Nações Unidas e aí tudo ficará mais difícil", completou.

Disse ainda que, aos 65 anos, não vai "pendurar a chuteira" e que vai continuar fazendo política organizando os partidos da América Latina e levando experiências bem-sucedidas do Brasil a países da África.

"O Brasil tem políticas sociais extremamente exitosas e isso poderá servir de base para aplicação em outros países se eu respeitar as peculiaridades de cada país", disse.


(Reportagem de Raymond Colitt)

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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Jornalista cubano recebe prêmio de direitos humanos, mas é impedido de participar de cerimônia

Fonte: Portal Imprensa

O jornalista Guillermo Fariñas, dissidente cubano que fico ficou mais de quatro meses em greve de fome pela liberdade de presos políticos, não pode deixar seu país para receber o prêmio de direitos humanos Sakharov, concedido pela União Europeia aos "indivíduos excepcionais que combatem a intolerância, o fanatismo e a opressão".

Nesta quarta-feira (15), em solenidade em Estrasburgo, na França, o prêmio foi entregue simbolicamente ao jornalista, que não obteve autorização do governo cubano para deixar a ilha. Para compensar a ausência, o dissidente enviou um vídeo à premiação.

"Isso (o vídeo) é uma prova irrefutável que infelizmente nada mudou em Cuba", afirmou Fariñas, segundo informa o Estadão.com.

Catherine Ashton,chefe da diplomacia da União Europeia, lamentou a ausência de Fariñas e pediu a "libertação incondicional" de todos os presos políticos cubanos. "Quero parabenizar Fariñas, que recebeu o prêmio em nome de todos aqueles que lutam em Cuba por mais liberdade e pelos direitos humanos", disse.

"A União Europeia continuará abordado o tema dos direitos humanos com as autoridades cubanas e neste contexto saúda a recente libertação de um número determinado de prisioneiros políticos. Esperamos que esse processo leve à liberdade todos eles", concluiu.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Mais de 3 milhões de pessoas assinam a petição da FAO para acabar com a fome


Fonte: Site da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil

Na América Latina e caribe o número ultrapassou 600 mil assinaturas

Brasília, 6 de dezembro de 2010 - Mais de três milhões de pessoas no mundo assinaram a petição do projeto “1billionhungry” da Organização das Nações para Agricultura e Alimentação (FAO). Esse número foi apresentado pelo diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, aos governos do mundo em uma cerimônia realizada na sede da FAO, em Roma, para pedir a erradicação da fome e que o tema seja prioridade nas agendas dos governantes. A campanha teve início no mês de maio.

“Pessoas de todo mundo pedem mudanças, pedem, também,aos líderes políticos a atuarem e resolverem as causas da fome e segurança alimentar”, afirmou Diouf. “Espero sinceramente que suas vozes sejam ouvidas. Derrotar a fome é um objetivo realista em nosso tempo, sempre que se aplicam soluções duradouras a nível político, econômico, técnico e financeiro”, acrescentou.

As últimas estimativas da FAO, mostraram que o número de pessoas famintas no mundo chegou a 925 milhões. No ano passado, a crise econômica mundial e a alta dos preços dos alimentos ultrapassaram a barreira de um bilhão de pessoas com fome no mundo.

Das cerca de três milhões de assinaturas, a América Latina e o Caribe contribuíram com 619.700 assinaturas. "O grande apoio de pessoas da região demonstra que os países da América Latina e o Caribe estão comprometidos com a erradicação da fome, confirmando seu compromisso para acabar com esta injustiça social", disse o Representante Regional da FAO, José Graziano da Silva.

Dos países da América do Sul, o Brasil obteve 240.838 assinaturas. “Esta campanha demonstrou mais uma vez que o Brasil está comprometido com a causa do combate a fome, e que todos os setores da sociedade brasileira estão engajados nessa causa nobre”, afirmou o representante da FAO no Brasil, Hélder Muteia.

Brasil: compromisso com a luta contra a fome - Nos últimos anos, o Brasil promoveu importantes avanços institucionais para garantir o direito à alimentação, como a inclusão do direito à alimentação entre os direitos sociais assegurados na Constituição, e a promulgação da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional e da lei que determina que 30% dos produtos que abastecem a merenda escolar sejam comprados de agricultores familiares.

Apoia à campanha – Importantes líderes políticos latinoamericanos e caribenhos se somaram ao projeto: O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, a presidenta da Argentina, Cristina Fernández Kirchner, o presidente de Honduras, Porfirio Lobo, o da Guatemala, Álvaro Colóm Caballeros, e da República Dominicana, Leonel Fernández apoiaram a iniciativa e assinaram a petição.

Outras personalidades destacadas como a primeira dama da República Dominicana, Margarita Cedeño de Fernández e a de El Salvador, Vanda Pignato, o enviado especial das Nações Unidas para mudança climática, Ricardo Lagos, e a secretária geral adjunta da ONU Mulheres, Michelle Bachelet,

Os Embaixadores da Boa Vontade da FAO e outras personalidades também assinaram a petição, entre eles cabe destacar os cantores Gilberto Gil, Fanny Lu, o músico cubano Chucho Valdés, o grupo mexicano maná, e a escritora chilena, Isabel Allende.

No Brasil, o projeto contou com diversos apoios, entre eles, do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea Nacional e Consea/RS), Rede Nacional de Mobilização Social (COEP), Agências do Sistema das Nações Unidas, Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Ministérios, Defensoria Pública/SP, Ministério Público Estadual/RS, FETAG/RS, Emater/RS, Emater/DF, Embrapa, Contag, Visão Mundial, Portal do Voluntariado, Planeta Voluntários, Biblioteca Nacional de Brasília (BNB), e universidades como Unisinos/RS, UFRGS, IPA/RS, Escola de Saúde Pública/RS, UniCeub e IESB, entre outras instituições.

A campanha entra numa segunda fase para obter mais assinaturas.

Outras informações:
Lídia Maia – Assessora de Comunicação FAO Brasil
Fone: (61) 8455-1289 – lidia.silva@fao.org

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Para embaixador palestino no Brasil, reconhecimento formal ajuda no processo de paz

Fonte: Uol
Thiago Chaves-Scarelli
Do UOL Notícias
Em São Paulo


O Brasil reconheceu esta semana pela primeira vez, de modo formal, o Estado palestino "nas fronteiras de 1967", em carta enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. Para o maior representante diplomático palestino no Brasil, a medida é “grande avanço”.

“É um momento de alegria para o povo palestino, porque vem em concordância com o justo direito de nosso povo ter nosso próprio Estado e é um reflexo da política justa e equilibrada do governo brasileiro, do senhor Luiz Inácio Lula da Silva e de seu chanceler, Celso Amorim”, afirmou o embaixador Ibrahim Al Zeben ao UOL Notícias.

Questionado pela reportagem sobre as consequências deste reconhecimento para as negociações de paz no Oriente Médio, o embaixador palestino afirmou que “com certeza ajuda”.

“Está baseado no direito internacional”, argumentou Al Zeben, “Deve contribuir para uma paz justa”.

O reconhecimento brasileiro foi uma resposta a um pedido manifestado em uma carta enviada por Abbas a Lula no final de novembro. "Enquanto expressamos a Vossa Excelência o nosso orgulho das valorosas e históricas relações brasileiro-palestinas, que refletem suas posições firmes em relação ao nosso povo ao longo dos anos e em nossos recentes encontros, esperamos, nosso caro amigo, que Vossa Excelência decida tomar a iniciativa de reconhecer o Estado da Palestina nas fronteiras de 1967", escreveu Abbas.

“Por considerar que a solicitação apresentada por Vossa Excelência é justa e coerente com os princípios defendidos pelo Brasil para a Questão Palestina, o Brasil, por meio desta carta, reconhece o Estado palestino nas fronteiras de 1967”, respondeu Lula, em 1º de dezembro.

Segundo o embaixador Al Zeben, a carta é suficiente para configurar reconhecimento formal. Dessa forma, o Brasil se torna o quinto país na América a reconhecer o Estado palestino, ao lado de Cuba, Nicarágua, Venezuela e Bolívia, segundo o diplomata. Ao todo, mais de cem países reconhecem o Estado palestino.

Histórico

O Brasil já reconhecia desde 1975 a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) como instituição legítima de representação dos palestinos. Em 1993, o Brasil autorizou abertura da Delegação Especial Palestina no país, com “status” diplomático semelhante às representações das Organizações Internacionais. Em 1998, o tratamento concedido à Delegação foi equiparado ao de uma Embaixada, para todos os efeitos. As informações são do Itamaraty.

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

AL pode evitar dano ambiental irreversível


Fonte: Radio das Nações Unidas (ONU)
BRUNO MEIRELLES
da PrimaPagina


Relatório da ONU alerta para necessidade de América Latina substituir modo de exploração de recursos naturais por plano mais sustentável


A manutenção de práticas não sustentáveis de exploração de recursos naturais na América Latina e Caribe vai levar ao registro de danos praticamente irrecuperáveis, que afetarão diretamente o crescimento econômico da região. É o que afirma o relatório “The Importance of Biodiversity and Ecosystems in Economic Growth and Equity in Latin America and Caribbean: A Regional Economic Valuation of Ecosystems" (A Importância da Biodiversidade e dos Ecossistemas para o Crescimento Econômico e a Igualdade na América Latina e Caribe: Uma Valoração Econômica dos Ecossistemas, em tradução livre).

O estudo, conduzido pelo PNUD em parceria com PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe), UNCTAD (Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento) e outros órgãos e agências, tem como objetivo alertar autoridades e empresas sobre os riscos de se empreender tais atividades.

O relatório traz ainda uma série de recomendações em áreas como agricultura, pesca, produção farmacêutica, serviços hídricos, áreas protegidas e turismo para que os países da região realizem a transição para um modelo de manejo ambiental mais sustentável por meio de políticas que o tornem economicamente competitivo com o exploratório no curto prazo. Isso pode ser feito por meio de subsídios, isenções tributárias, pagamentos por serviços ambientais e esquemas de certificação.

Segundo o documento, a América Latina e o Caribe são “superpotências da biodiversidade”, pois concentram cerca de 40% das espécies do planeta e reúnem cinco dos dez países com maior riqueza biológica no mundo: Brasil, Colômbia, Equador, México e Peru.

"A América Latina e o Caribe possuem um dos maiores capitais naturais do mundo", diz Heraldo Muñoz, Secretário-Geral Adjunto da ONU e Diretor do PNUD para a região. "As políticas recomendadas em nosso relatório possuem o potencial de transformar modelos tradicionais de desenvolvimento – elevando a qualidade de vida de milhões de pessoas ao preservar e recuperar nossa biodiversidade e serviços ligados ao ecossistema."

No entanto, esse potencial não está sendo utilizado para reduzir a desigualdade, alerta o estudo. Apesar de o Produto Interno Bruto (PIB) da região ter crescido continuamente entre 2002 e 2008, um em cada quatro habitantes locais ainda vivia com menos de US$ 2 por dia. Estima-se que todos os anos seja derrubados 4 milhões de hectares de bosques tropicais na região, e os membros carentes da sociedade são os que mais dependem deles para sobreviver.

Entre os elementos responsáveis pela degradação dos sistemas naturais destacam-se a destruição e alteração de habitats, a superexposição e o uso não sustentável dos recursos, práticas equivocadas de gestão de terras, contaminação terrestre e aquática, propagação de espécies exógenas que afetam a estrutura dos ecossistemas e mudança climática.

"As empresas precisarão entender melhor e quantificar o quanto podem se beneficiar e que impacto geram na biodiversidade e nos serviços ligados ao ecossistema", afirma Enrique Iglesias, titular da Secretaria-Geral Iberoamericana e membro da Comissão de Biodiversidade, Ecossistemas, Financiamento e Desenvolvimento do relatório.

Recomendações de transição

O estudo identifica que os obstáculos para a adoção de um modelo de manejo sustentável na região incluem o preço demasiadamente baixo cobrado por áreas florestais, água e fertilizantes, o que estimula a superexploração dos recursos. Além disso, a transição implica em investimentos em tecnologia, capacitação e em abrir mão dos ganhos regulares no curto prazo, até que o novo sistema comece a dar lucros.

Para superar essas barreiras, o estudo recomenda que os governos locais façam uma análise das vantagens e desvantagens de uma política que maximize a produção e vise lucros no curto prazo e de outra que preserve os recursos dos ecossistemas.

Além disso, o documento destaca a necessidade de desenvolvimento de instrumentos de compensação para as perdas ambientais, fazendo com que os responsáveis por contaminar ou danificar recursos compensem o Estado por isso, dando maiores condições para que se invista na conservação.

Agricultura

A atividade tem vital importância para a economia da América Latina e Caribe, representando 44% de suas exportações em 2007 e empregando cerca de 9% da população local. Apesar de sua relevância, mais da metade das pessoas que vivem no campo está abaixo da linha da pobreza. Um dos principais problemas do setor é a adoção de um modelo que não respeita a capacidade produtiva do solo e vai provocando sua erosão, o que torna o negócio cada vez menos lucrativo, visto que aumentam os gastos com tecnologia, agrotóxicos e mão de obra para que a produtividade seja mantida.

O estudo sugere ainda que mais da metade das áreas florestais que são derrubadas para a criação de gado acaba abandonada por causa da degradação do solo. Enquanto nos primeiros quatro anos a média por hectare é de dois animais, após este período a taxa cai para apenas 0,3.

Outro fator preocupante é elevado o uso de agrotóxicos. Se, por um lado, ele triplicou a produtividade na região desde 1960, por outro estima-se que sejam aplicados anualmente 30 quilos de pesticidas por hectare, dez vezes mais do que nos países desenvolvidos. Isso leva a um aumento de gastos para o tratamento das enfermidades causadas por essas substâncias, especialmente no caso de trabalhadores que são muito pobres, em que os tratamentos representam uma pesada carga financeira.

Já culturas de exportação, como a soja, podem trazer benefícios econômicos aos agricultores da ordem de US$ 180 milhões. Porém, seus custos, considerando os danos ambientais causados pela destruição de habitats para aumentar as superfícies cultivadas, ficam entre US$ 762 milhões e US$ 1,9 bilhão.

Para reverter essa situação, o documento destaca a importância de se disseminar a visão de que as terras agrícolas não oferecem apenas comida. Com uma boa gestão, elas também podem fornecer serviços como os de captura de carbono, regulação da qualidade da água e conservação da biodiversidade.

Entre os exemplos positivos citados no documento destaca-se a adoção de adubos orgânicos na região Sul do Brasil, que aumentou a renda agrícola anual em US$ 98.460 para o milho, em US$ 56.071 para a soja e em US$ 12.272 para o feijão. Já no México, a rotação de cultivos de feijão e abóboras aumentou a produtividade entre 47% e 74% em relação à monocultura.

Pesca

De acordo com o relatório, das 49 populações de peixes da América Latina e Caribe sobre as quais existem dados disponíveis, apenas 12% apresentam algum potencial para aumentar a produção. Cerca de 30% delas têm sido exploradas de forma moderada ou completa e, portanto, estão se aproximando de seus limites de sustentabilidade. Outros 12% são totalmente explorados ou superexplorados. Mais de um terço (35%) das unidades populacionais estão além do seu limite ou esgotadas, enquanto 10% estão se recuperando.

Essa situação é possibilitada por fatores como a sobrecapacidade das frotas marítimas, os subsídios que a pesca predatória encontra e a falha no controle legal, já que muitas vezes não há qualquer regulamentação ou registro. Como consequência, a perda de produtividade implica em custos mais elevados de viagem, já que, em resposta à deterioração, a frota deve mover-se para áreas cada vez mais distantes da costa.

Como a maioria dos recursos do setor estão em níveis críticos de exploração, o estudo recomenda a reconstituição das unidades populacionais de peixes, criando cotas ou reduzindo a capacidade de pesca para níveis que correspondam à produtividade dos recursos, além de reorientar os subsídios do setor.

Produção farmacêutica

O relatório alerta que as operações florestais predatórias na região são viabilizadas por condições como abundância relativa de recursos, presença limitada do governo, extração ilegal de madeira, falta de direitos de propriedade de terras bem definidos, subsídios perversos e insuficiência de informações sobre os custos reais da degradação. Esta situação faz com que os recursos florestais sejam vistos como bens livres, e o Estado deixa de se beneficiar com a renda resultante da sua extração.

Além disso, a produtividade do setor depende de vários elementos, como chuva e umidade do solo, reciclagem de nutrientes, fertilidade, polinização e controle de pragas. Caso algum destes fatores sejam alterados significativamente, as florestas podem mudar sua natureza, ou mesmo entrar em colapso. Por isso, estima-se que a adoção de técnicas de baixo impacto e uma redução de 10% nas taxas de desmatamento anual na América Latina e Caribe poderia gerar lucros entre US$ 600 milhões e US$ 2,5 bilhões por ano.

Um exemplo positivo citado são as Áreas Protegidas do México, como parques nacionais, que contribuem com pelo menos US$ 3,5 bilhões por ano para a economia nacional. Cada peso mexicano (cerca de US$ 0,07) investido em áreas protegidas gera 52 pesos (US$ 4) para a economia.

Turismo

América Latina e Caribe concentram 5% do mercado mundial e, segundo o documento, têm um grande potencial de expansão, pois contam com atrativos como praias e água limpa, recifes, rios cristalinos, aves, peixes, baleias e florestas. Porém, o setor é ameaçado por modelos de turismo em massa, como os vigentes no Caribe e caracterizados por grandes hotéis e resorts, cruzeiros e assentamentos urbanos de férias que utilizam aspectos não-sustentáveis. A demanda turística per capita por água potável, por exemplo, varia entre 3 e 10 vezes a de usuários residenciais da região.

Em vista disso, o estudo alerta que o turismo dedicado à natureza pode se tornar uma ferramenta vital não só para combater este modelo, como também para gerar emprego e renda em áreas subdesenvolvidas, mas ricas em recursos naturais. A atividade pode estimular a venda de artesanato, alimentação, serviços culturais e transporte para grupos de turistas, além de proporcionar outros benefícios para os mais pobres, como, por exemplo, infra-estrutura e melhoria dos serviços.

Por exemplo, a maioria dos turistas internacionais que chegou à região – entre 66% e 75% – visitou pelo menos uma área protegida, e aproximadamente 94% das empresas de turismo e hospedagem do Caribe, consultadas para o relatório, indicaram depender do meio ambiente para sua sobrevivência.

Economia global não deve melhorar em 2011, diz relatório



Fonte: Rádio das Nações Unidas (ONU)
Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.


Crescimento deve ser de 3,1%, seguidos por 3,5% em 2012, taxas insuficentes para sustentar uma recuperação dos 30 milhões de postos de trabalho perdidos com a recessão.

Um relatório das Nações Unidas revela que a economia global não deve melhorar em 2011. O documento foi divulgado nesta quinta-feira na sede da ONU.

Segundo o relatório, "Estimativas e Situação Econômica Mundial 2011", a falta de empregos pode frear a possibililidade de recuperação.

Níveis Insuficientes

A previsão do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais, Desa, é de que a taxa de crescimento para o próximo ano seja de 3,1%. Em 2012, a economia deve crescer 3,5%. Ambos os níveis são insuficientes para recuperar os postos de trabalho perdidos durante a recessão.

Numa entrevista à Rádio ONU antes da divulgação do relatório, o vice-chefe da Cepal, Antônio Prado, disse que os países latino-americanos precisam monitorar a situação da economia, principalmente na Europa e nos Estados Unidos.

Europa e Estados Unidos

"Ainda existem preocupações em relação ao que acontece nos Estados Unidos. Isso afeta alguns países da região, principalmente, México, América Central e Caribe. E também o que pode ocorrer com a Europa", explicou.

Entre 2007 e 2009, pelo menos 30 milhões de pessoas em todo o mundo ficaram desempregadas. Segundo o relatório, as medidas de austeridade fiscal de vários governos estão impedindo uma recuperação rápida de criação de postos de trabalho.

O chefe da pequisa, Rob Vos, disse que o caminho para a recuperação será longo. Segundo ele, os problemas apresentados este ano por economias de países desenvolvidos levaram à diminuição do ritmo.

Países em desenvolvimento como China e Índia continuam com performance forte, mas devem sofrer uma moderação em torno de 7% nos próximos dois anos.

Brasil

Já na América Latina, o crescimento da economia deve ser de 4%, um pouco menos do que os 5,6% que eram esperados. Considerada a locomotiva do continente, o Brasil deverá permanecer forte e ajudando no crescimento dos países vizinhos.

A recuperação também tem sido sólida na maioria do continente africano que deve crescer 5% em 2011 e 2012. Nos Estados Unidos, a projeção de crescimento é de 2,2% em 2011 e de 2,8% em 2012. Para os economistas do relatório, a recuperação de postos de trabalho nos Estados Unidos deve levar pelo menos mais quatro anos.

O relatório da ONU mostra que os países em desenvolvimento continuam puxando a recuperação global, mas este quadro sofrerá mudanças com a desaceleração das economias ricas e o fim das medidas de estímulo fiscal.

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